Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, São Paulo

Governo e aliados preparam nova ofensiva contra o direito à aposentadoria

Publicado em 08/08/2017

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Temer quer acabar com a aposentadoria pública para agradar os banqueiros

O governo de Michel Temer e seus principais aliados na Câmara estudam nova ofensiva para tentar a aprovação da Reforma da Previdência, passando a ideia de superação da crise política e “normalidade” no ambiente nas relações do Executivo com o Congresso. A reunião realizada no último domingo (06/08) entre o núcleo político do Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de o pontapé inicial para colocar a estratégia em andamento.

Maia saiu do encontro incumbido de sondar os humores dos deputados da base governista, já desgastados pelo apoio a Temer e contra as investigações sobre corrupção que lhe pesam. Ele tem dito que pretende pautar a matéria no início do próximo mês e descartado fazer alterações no texto aprovado pela Comissão Especial, antes da crise aberta pela delação da JBS.

Conflitos à vista

No entanto, a imagem de calmaria que interessa ao governo está longe de ser verdadeira. Na votação da denúncia da PGR, embora Temer tenha assegurado momentaneamente o mandato, viu sua base parlamentar esfacelar e perder mais de 100 votos, quando comparada com outras votações pós-impeachment.

Além disso, mesmo antes antes da delação que envolveu o próprio presidente, o governo nunca chegou próximo aos 308 votos necessários para aprovar as principais promessas ao capital financeiro, como a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres.

Também pesa contra a aprovação do ataque à aposentadoria a impopularidade do tema – a reforma é reprovada por 71% dos brasileiros, segundo o Datafolha – e a expectativa de que uma segunda denúncia contra Temer seja enviada à Câmara antes do término do mandato de Rodrigo Janot. Há ainda a necessidade de votar o relatório sobre a Reforma Política, pauta que precisa ser apreciada pelo Congresso antes de outubro para ter validade como regra para as próximas eleições.

Por fim, outro complicador é a mobilização popular contra as mudanças na Previdência. As grandes manifestações de 2017, quando se conseguiu grande unidade dos movimentos sociais e das centrais sindicais, tiveram como pano de fundo a luta contra o fim da aposentadoria. Tema sensível e de fácil entendimento para a população, foi a pauta contra a Reforma da Previdência o principal motor da histórica greve geral de 28 de abril, quando mais de 40 milhões de trabalhadores cruzaram os braços em todo o país.

De São Paulo, Fernando Borgonovi

 

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