Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, São Paulo

Temer compra votos para escapar, mas perde 100 deputados aliados

Publicado em 03/08/2017

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Oposição protesta contra compra de votos, no plenário da Câmara

Após liberar cargos políticos e bilhões em emendas parlamentares para deputados aliados, Michel Temer obteve vitória apertada, na noite desta quarta (02/08), e conseguiu se salvar do afastamento no primeiro pedido de inquérito enviado pela Procuradoria Geral da República. Contudo, o placar de 263 votos pró-governo e 227 contra mostra que a base aliada erodiu.

Aos números. Temer chegou ao Planalto com a base que engendrou o golpe em Dilma, 367 votos. Em seu primeiro teste, em outubro de 2016, aprovou a PEC do Teto de Gastos na Câmara com apoio de 366 deputados contra 111. Agora, menos de um ano depois, mais de cem deputados debandaram das fileiras governistas e se alistaram na oposição. Registre-se ainda que nos votos que engavetaram a denúncia, 11 foram ministros exonerados para assumirem, pois os suplentes votariam contra.

Além disso, o PSDB, até então o principal pilar de sustentação do governo, entrou em parafuso: está acéfalo e rachou ao meio (22 x 21), sendo que a ala paulista deu 12 votos contra o presidente e apenas 1 a favor. “O maior derrotado da votação foi o maior aliado de Temer até agora: o PSDB. De aspirante ao Planalto, o tucanato derreteu”, escreveu o deputado federal Orlando Silva, em artigo.

Dias piores virão

Mesmo somando todas as ausências (2) e abstenções (19) como pró-Temer, o resultado de 284 votos ainda fica bem distante da maioria constitucional de 308 votos necessários para aprovar o principal compromisso do governo com os banqueiros e grandes empresários: a Reforma da Previdência.

Por outro lado, o capital político gasto para se segurar no cargo deixou o presidente ilegítimo extenuado, moribundo politicamente. “O ilegítimo gastou o que tinha e o que não tinha para comprar a salvação”, disse o deputado comunista.

Uma nova denúncia de Rodrigo Janot deve ser recebida de maneira diferente na Câmara devido à pressão que os parlamentares que salvaram Temer receberão em suas bases: 81% dos eleitores querem o afastamento e 73% dizem que não merecem ser reeleitos os que votaram pela absolvição, segundo o Ibope.

De São Paulo, Fernando Borgonovi

 

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